O Modernismo e o mito do Estilo Internacional


- Montaner define a 1ª geração, aquela dos protagonistas do movimento moderno, como sendo formada por arquitetos que nasceram por volta de 1885 (entre 1880 e 1894) e que começou a desenvolver suas obras a partir de 1910, com realizações influentes já nos anos 20: Bruno Taut (1880-1938); Walter Gropius (1883-1969); Mies Van der Rohe (1886-1969); Le Corbusier (1887-1965); Eric Mendelsohn (1887-1953); Rudolf Schindler (1887-1953); Gerrit Rietveld (1888-1964); Richard Neutra (1892-1970); Hans Scharoun (1893-1972) e outros

- Frank Lloyd Wright (1867-1959) e Tony Garnier (1869-1948) pertenciam a uma geração anterior, mas foram também, indubitavelmente, arquitetos do movimento moderno. 

- Desde o início, o Movimento Moderno teve uma diversidade que a historiografia posterior tratou de relegar: existem duas formas principais de vc abordar o passado em história da arte, procurando-se realçar as dicotomias e os paradoxos das distintas correntes ou procurando-se realçar a unidade e a coerência dos mesmos, e a historiografia mais tradicional do século XX (Giedion, Hitchcock etc) optou pela ultima.

- Uma grande exposição em 1932 no MOMA de Nova York (1º museu do planeta criado explicitamente para receber a arte moderna) e intitulada The International Style: Architecture from 1922, com curadoria do crítico Henry-Russell Hitchcock Jr e do jovem arquiteto Phillip Johnson, procurou construir a ideia de um movimento moderno unitário – o Estilo Internacional. (Montaner). 


- Com esta exposição, sacrificava-se a amplitude das experiencias das vanguardas modernistas existentes, reduzindo-as a uma unidade. A Villa Savoia de Le Corbusier e o Pavilhão de Barcelona de Mies Van der Rohe passavam a produtos perfeitos – eram os modelos doravante. (Montaner).

- A exposição pretendia estabelecer um cânone: uma determinada arquitetura cúbica, lisa, de fachadas brancas ou revestidas de metal e vidro, de propostas funcionais e simples.  Os princípios formais básicos desta arquitetura seriam três: a arquitetura como volume; o predomínio da regularidade substituindo a simetria axial acadêmica; e a ausência de decoração, que surge da perfeição técnica e expressividade do edifício a partir do detalhe arquitetônico e construtivo.   (Montaner).

- Para promover este Estilo Internacional falsamente unitário, os experimentos dos futuristas, dos construtivistas russos, do expressionismo alemão, da Escola de Amsterdã (De Stilj) ou da arquitetura organicista, ficaram marginalizados e silenciados. (Montaner).

- Essa interpretação de fato estava traindo e reduzindo a base da arquitetura do Movimento Moderno, principalmente em não querer entender que, além da forma e da linguagem, havia uma nova metodologia de pensar e projetar a arquitetura, de implementá-la dentro de uma cidade racional e de propô-la como fator social essencial. (Montaner).

- Tudo isso não é casual, obedecia a uma explícita política cultural norte-americana, que a partir dos anos 30 tentará (e conseguirá, após a 2ª Guerra) controlar o mundo da produção cultural e artística. (Montaner).

(Este texto não tem pretensão autoral. Tratam-se de notas de aula de autores distintos referendados abaixo):
REFERENCIAS:
MONTANER, Josep Maria. Depois do movimento moderno: arquitetura da segunda metade do século XX. Barcelona : Gustavo Gili, 2001.
www. wikipedia.com

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