Revolução Industrial (1760-1830).
- A seguir às alterações metodológicas ocorridas no seio da ciência
moderna, iniciadas com a revolução científica do século XVII, uma possibilidade
de inovações tecnológicas radicais surge, na segunda metade do século XVIII, em primeiro na Inglaterra e
em seguida na Europa Ocidental, deflagrando um processo fortemente
revolucionário na produção de mercadorias, até então marcado fundamentalmente,
desde o surgimento da cultura urbana, por um processo de fabricação baseado no
artesanal.
- Esta transformação incluiu a transição de métodos de produção
artesanais para a produção por máquinas, a fabricação de novos produtos
químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da
água, o uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das
máquinas-ferramentas, além da substituição da madeira e de outros
biocombustíveis pelo carvão (Wikipedia.pt).
- A Revolução Industrial é um
divisor de águas na história e quase todos os aspectos da vida cotidiana da
época foram influenciados de alguma forma por esse processo. Em especial a
arquitetura (produção de edifícios) e a cidade e o espaço social
(transformações urbanas).
- No campo da arquitetura e da construção civil as modificações são
enormes. Em primeiro existe uma ruptura no saber construtivo do ocidente que
até então caminhava unificado e que a partir de então se cinde em dois, cabendo
a tecnologia e a resolução dos problemas técnicos à nova categoria profissional
dos engenheiros civis (Escola Politécnica) e a resolução das questões estéticas
e compositivas aos arquitetos (Escola de Belas Artes). Estes últimos ficando
cada vez mais dissociados do canteiro de obras.
- Em segundo, com o surgimento de uma nova estética, a estética industrial,
propiciada pela utilização em larga escala de materiais de construção já
conhecidos pelo homem de longa data, mas até então usados com muita parcimônia
e que a partir da industrialização, tornam-se baratos e acessíveis, como o
tijolo cerâmico, o ferro e o vidro. E, num segundo momento, com a descoberta de
novos materiais e tecnologias: o cimento Portland e a estrutura de concreto
armado.
- Em terceiro, uma grande crise estética abate-se sobre a produção
arquitetónica do período, crise fundada no confronto paradoxal da estética
vigente nos círculos acadêmicos, ainda ancorada no projeto do historicismo, e a
possibilidade, revolucionária das estruturas metálicas e dos novos materiais à
disposição do construtor.
- Por último, mas não menos importante, a máquina a vapor (o
navio e o trem) ocasionou o barateamento dos transportes de forma a
possibilitar a importação em larga escala dos materiais de construção,
possibilitando pela primeira vez na História da Construção, uma globalização de
métodos e materiais.

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