Paisagem e jardinismo.
- Duas formas de se ver a natureza conviveram
ao longo do século XVIII, dois sistemas opostos, um simbolizado pela França, o
outro pela Inglaterra: “A natureza submetida à casa; a casa submetida à
natureza” (Marques de Girardin. Da composição das paisagens …. 1775).
-A ‘forma francesa’ aparentemente deriva de uma
visão pré-iluminista da natureza compreendida como um cosmos: centralizado,
simétrico e perfeito. A ‘forma inglesa’ já incorpora a visão iluminista que
identifica a natureza com a paisagem. Uma forma nova que, paulatinamente, se sobrepõem
à antiga, de maneira que no final do século XVIII já ninguém, nem mesmo os
franceses, adota a ‘forma francesa’.
- O artifício da tosa modelava na vegetação
arcadas, nichos, capitéis, cornijas. As árvores, os arbustos, simulavam os
edifícios enquanto que os parterres (canteiros) se ornavam de tapetes
com compartimentos mouriscos, arabescos, grotescos, escudos de armas etc. A natureza é completamente aniquilada,
transformada em um palácio esverdeado como que prolongando os edifícios de
pedra (Baltrusaitis).
O tratado de Dézallier d’Argenville que foi no
séc. XVIII a ‘bíblia’ dos jardins do tipo francês e teve 4 edições sucessivas
de 1709 a 1747.
- O elogio da figura geométrica era feita
também pelos arquitetos ingleses como Cristopher Wren (1632-1723), “ela é naturalmente mais bela do que qualquer
que seja a figura irregular”. Mas aqui, ainda estamos no contexto do
barroco inglês do século XVII. Os jardins geométricos em Inglaterra serão
criticados já desde o ano de 1715 por Stephen Switzer e outros, que opõem a
estes, o charme sorridente e a infinita variedade da natureza intacta: “Existe porventura coisa mais chocante que a
rigidez de um jardim regular” se perguntava em 1728 o paisagista Batty
Langley em seu tratado Novos princípios do jardinismo… (Baltrusaitis).
- De William Kent, o primeiro autor do jardim
paisagístico de Stowe, Horace Walpole, um crítico contemporâneo, disse: “Foi pintor, arquiteto e pai do paisagismo
moderno. No primeiro gênero foi abaixo do mediano, no segundo foi um
restaurador da ciência, no último, um original inventor da arte que tornou
real a pintura e perfeccionou a natureza”.
Construir a Arcádia.
- A Arcádia era uma região da antiga Grécia que
com o tempo, se converteu no nome de um país imaginário, criado e descrito por
diversos poetas e artistas, sobretudo do Renascimento e do Neoclássico. Neste
lugar imaginário reina a felicidade, a simplicidade e a paz em um ambiente
idílico habitado por uma população de pastores que vivem em comunhão com a
natureza, como na lenda do nobre selvagem.
O Vale Grego, projetado por Capability Brown em
Stowe. 1747-49.
- Se o jardim paisagístico inglês ainda tem um caráter fortemente neoclássico, o jardim paisagístico francês, que vai acontecer na passagem do século XVIII para o XIX, vai ser predominantemente um jardim romântico.
O Deserto de Retz. François
Racine de Monville. 1785.
(Este texto não tem pretensão autoral. Tratam-se de notas de aula de autores distintos referendados abaixo):
BALTRUSAITIS, Jurgis. Aberrations: les perspectives depravées I. Paris : Flammarion, 1995.



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